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Decreto-Lei n.°
18/83/M
de 12 de Março
1. Na legislação de Macau, o Diploma Legislativo n.° 1 620, de 22 de
Fevereiro de 1964, constitui a peça jurídica fundamental sobre o uso das
radiocomunicações, não tendo sido, desde então, publicada qualquer
disposição legal que o complementasse ou lhe introduzisse actualizações.
2. A evolução tecnológica que, entretanto, se processou no campo das
radiocomunicações, colocou à disposição das administrações e empresas,
equipamentos e conceitos que passaram a desempenhar um papel de primordial
importância no desenvolvimento económico e social nas respectivas áreas de
aplicação.
3. Deste modo, há que proceder a uma reforma legislativa global que tenha em
conta, por um lado as condições específicas do Território e, por outro, que
impulsione e possibilite o desenvolvimento das suas estruturas de
radiocomunicações, à luz dos novos equipamentos e dos novos serviços
permitidos pela sua utilização.
4. O presente decreto-lei, diploma fundamental das radiocomunicações do
Território, ao definir em traços amplos certos conceitos, como sejam: gestão
e tutela das radiocomunicações, autorização governamental,
radiocomunicações interditas, homologacão e comercialização de equipamentos
de radiocomunicações, perturbação radioeléctrica, servidão
radioeléctrica, e a impor a obrigatoriedade de publicação de várias
disposições complementares, específicas, insere-se, precisamente, na
prossecução de tais objectivos, salvaguardando, no entanto, de forma
inequívoca, harmoniosa e disciplinada as alterações resultantes da sua
aplicação.
Nestes termos;
Ouvido o Conselho Consultivo;
Usando da faculdade conferida pelo n.° 1 do artigo 13.° do Estatuto
Orgânico de Macau, promulgado pela Lei Constitucional n.° 1/76, de 17 de
Fevereiro, o Encarregado do Governo de Macau decreta, para valer como lei no
território de Macau, o seguinte:
CAPÍTULO I
Disposições gerais
Artigo 1.°
(Âmbito)
O regime legal das radiocomunicações no território de Macau ou em navio ou
aeronave sujeito às suas leis será o constante do presente decreto-lei e seus
diplomas complementares.
Artigo 2.°
(Definições)
No presente decreto-lei e seus diplomas complementares deve entender-se por:
- Radiocomunicações: Toda a transmissão, emissão ou recepção
de símbolos, sinais, escrita, imagens, sons ou informações de qualquer
outra natureza, por meio de ondas radioeléctricas;
- Serviço de radiocomunicações: Serviço de telecomunicações
efectuado por meio de ondas radioeléctricas;
- Ondas radioeléctricas: Ondas electromagnéticas de frequência
inferior a 3000Ghz, que se propagam no espaço, sem guia artificial;
- Regulamento das Radiocomunicações: O Regulamento das
Radiocomunicações anexo à Convenção Internacional das
Telecomunicações e publicado pelo Secretariado Geral da União
Internacional das Telecomunicações;
- Autorização governamental: O acto administrativo que permite o
estabelecimento e a utilização de uma estação ou de uma rede de
radiocomunicações;
- Estação de radiocomunicações: O conjunto formado por um
equipamento emissor, um equipamento receptor ou um equipamento
emissor/receptor de radiocomunicações e o sistema de antenas associado,
salvo se, em casos especiais, as disposições regulamentares em vigor ou
que venham a vigorar, fixarem outra composição;
- Operador de radiocomunicações: Organismo ou entidade, pública
ou privada, que efectue o transporte ou transmissão de mensagens ou
informações por meios radioeléctricos;
- Equipamento emissor ou receptor de radiocomunicações: Todo o
gerador ou receptor de oscilações electromagnéticas concebido para emitir
ou receber radiocomunicações;
- Rede de radiocomunicações: O conjunto formado por várias
estações de radiocomunicações podendo comunicar entre si dentro dos
limites de uma autorização concedida a pessoas singulares ou pessoas
colectivas, quer a título individual, quer a título comum;
- Estação de radiodifusão: A estação de um serviço de
radiodifusão;
- Serviço de radiodifusão: O serviço de radiocomunicações
cujas emissões são destinadas a ser recebidas directamente pelo público
em geral. Este serviço pode compreender emissões sonoras, emissões de
televisão ou outro género de emissões;
- Homologação: Aprovação, após confirmação por meio de
teste, que determinado equipamento de radiocomunicações satisfaz os
requisitos técnicos mínimos exigíveis por lei para poder ser licenciado e
colocado em funcionamento;
- Perturbação radioeléctrica: O efeito sobre a recepção de um
sistema de radiocomunicações, de uma energia não desejada devida a uma
emissão, a uma radiação ou a uma indução, que se manifesta por uma
degradação da qualidade de transmissão, deformação ou perda de
informação, que se extrairia na ausência desta energia não desejada;
- Servidão radioeléctrica: A protecção a centros de
radiocomunicações que suprime, tanto quanto possível, obstáculos ou
interferências que afectem a propagação radioeléctrica, garantindo, quer
a desobstrução das suas zonas confinantes, quer de canais especiais que os
interliguem em linha de vista.
CAPÍTULO II
Gestão e tutela das
radiocomunicações
Artigo 3.°
(Regime de gestão)
As radiocomunicações são de interesse público e produzidas em regime de
gestão directa da Administração ou de outras pessoas colectivas de direito
público, mantendo-se a possibilidade de gestão indirecta da Administração,
através dos regimes de concessão e de licenciamento.
Artigo 4.°
(Actividades tuteladas)
1. Estão sob tutela do Governador todas as actividades em matéria de
gestão, de administração geral e política das radiocomunicações.
2. A tutela referida no número anterior será exercida por intermédio da
Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), à qual
incumbe:
- A gestão do espectro radioeléctrico;
- O apoio ao Governo na coordenação, tutela e planeamento do
sector das radiocomunicações;
- A representação desse mesmo sector.
3. Em matéria de gestão do espectro radioeléctrico, são atribuições dos
CTT:
- A consignação de frequências;
- A fixação e a fiscalização das condições de utilização;
- A fisca1ização das instalações radioeléctricas, com
excepção das respeitantes às Forças de Segurança;
- O controlo e a fiscalização das interferências
radioeléctricas;
- A aplicação de sanções, quando for o caso.
4. Em matéria de tutela e coordenação dos operadores de
radiocomunicações, são atribuições dos CTT:
- Assessorar o Governo na tutela dos organismos operadores de
radiocomunicações, podendo mesmo exercê-la, mediante delegação;
- Propor a política geral e a organização e planeamento global
do sector;
- Elaborar projectos de legislação e de regulamentação do
sector;
- Analisar e dar parecer sobre legislação e regulamentação
proposta por organismos operadores de radiocomunicações de uso público;
- Proceder, em colaboração com outros organismos interessados, à
normalização e à homologação de materiais e equipamentos;
- Fiscalizar a qualidade e custo dos serviços prestados pelos
organismos operadores de radiocomunicações de uso público;
- Fiscalizar o cumprimento por parte dos organismos operadores de
radiocomunicações de uso público das disposições legais e
regulamentares relativas à sua actividade.
5. Em matéria de representação do sector das radiocomunicações, são
atribuições dos CTT:
- Representar directamente o interesse público relativo à
actividade do seu sector junto de outras entidades, sem prejuízo das
competências próprias das empresas operadoras;
- Representar o interesse público do sector no seu relacionamento
com entidades, outros países e organizações internacionais afins ou
similares, integrando-se na delegação portuguesa ou representando-a.
Artigo 5.°
(Tutela dos operadores)
1. Estão sujeitos a tutela do Governador todos os operadores de serviço de
radiocomunicações, incluindo a transmissão da radiodifusão sonora e
televisiva.
2. A tutela referida no número anterior exerce-se através da Direcção dos
Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT), nos termos estabelecidos no
n.° 4 do artigo anterior.
CAPÍTULO III
Autorização
governamental e condições gerais da sua concessão e revogação
Artigo 6.°
(Autorização governamental)
1. Ninguém, no território de Macau ou a bordo de navio ou de aeronave
sujeito às suas leis, pode deter na sua posse um equipamento emissor, receptor
ou emissor/receptor de radiocomunicações, nem estabelecer ou utilizar uma
estação ou uma rede de radiocomunicações, sem prévia autorização
governamental, excepto nos casos previstos no artigo 7.°
2. A autorização referida no n.° 1 não impede a concessão de
autorizações similares a outras entidades, assim como não dispensa o seu
titular e se submeter a todas as disposições legislativas ou regulamentares em
vigor ou que venham a vigorar.
3. A existência de antenas exteriores pressupõe, para efeitos do presente
decreto-lei, a utilização de estação ou de equipamentos do
radiocomunicações.
Artigo 7.°
(Dispensa da autorização governamental)
1. Estão dispensados da autorização governamental, indicada no artigo
6.°, os equipamentos de radiocomunicações:
- De reduzida potência e pequeno alcance, incluídos em categorias
a fixar por despacho governamental;
- Receptores do serviço de radiodifusão sonora e televisiva.
2. Também não carecem de autorização os equipamentos de
radiocomunicações utilizados pelas Forças de Segurança e Polícia
Judiciária, para satisfação das necessidades colectivas de segurança e ordem
pública.
Artigo 8.°
(Recurso a outros meios de telecomunicações)
1. A autorização governamental para o estabelecimento e utilização de uma
rede de radiocomunicações poderá não ser concedida nos casos em que as
necessidades dos serviços projectados possam ser satisfeitas recorrendo a
outros meios de telecomunicações.
2. O custo dos equipamentos e da sua exploração não constituem razões
preponderantes para a justificação da impossibilidade a um tal recurso.
Artigo 9.°
(Titularidade da autorização governamental)
1. A autorização governamental para o estabelecimento e utilização de
equipamentos de radiocomunicações pode ser concedida a pessoas singulares, a
pessoas colectivas, ou a associações dumas e doutras.
2. A autorização governamental para o estabelecimento de redes de
radiocomunicações pode ser concedida a pessoas singulares ou a pessoas
colectivas, quer para utilização individual, quer para utilização comum.
Na utilização comum, as estações móveis de diversas pessoas singulares
ou colectivas asseguram as suas comunicações através de estações terrestres
comuns.
3. A quem quer que seja concedida qualquer das autorizações referidas nos
n.os 1 e 2, é plenamente responsável pelas infracções ao disposto
no presente decreto-lei, bem como à demais legislação necessária à
sua execução. É, ainda, plenamente responsável pelos danos de qualquer
espécie causados a ele próprio ou a terceiros, imputáveis quer à segurança
ou deficiências da sua estação, quer a outras causas com ela relacionadas.
Artigo 10.º
(Limites de direitos conferidos)
1. A autorização governamental para o estabelecimento e utilização de uma
estação ou de uma rede de radiocomunicações concedida a entidades públicas
ou privadas não confere ao seu titular direito de ocupação do domínio
público, salvo nos termos do artigo 49.º
2. O titular de uma autorização governamental, relativa ao estabelecimento
e utilização de uma estação ou de uma rede de radiocomunicações, pode, a
todo o momento, ser obrigado a cessar o seu funcionamento, se a entidade de
telecomunicações de uso público, criar os meios de radiocomunicações
necessários à satisfação das suas necessidades.
3. A autorização governamental para o estabelecimento e utilização de uma
estação ou de uma rede de radiocomunicações concedida para uso privativo de
entidades públicas ou privadas não permite ao seu titular emitir ou receber
radiocomunicações, por conta, ou em proveito de terceiros.
Artigo 11.°
(Suspensão ou revogação da autorização governamental)
1. A autorização governamental para o estabelecimento e utilização de uma
estação ou de uma rede de radiocomunicações pode ser suspensa ou revogada em
qualquer ocasião, nomeadamente, quando o titular:
- Não respeite as condições para as quais a autorização foi
concedida;
- Recuse aplicar as medidas previstas para a eliminação das
perturbações originadas pela sua estação de radiocomunicações;
- Não pague as taxas devidas nos prazos fixados;
- Se oponha à verificação dos equipamentos pelos agentes de
fiscalização credenciados.
2. A autorização anteriormente referida pode ainda ser suspensa ou
revogada, sempre que circunstâncias especiais o aconselhem.
3. A suspensão ou revogação da autorização governamental não dá lugar
a qualquer indemnização, nem ao reembolso da taxa eventualmente liquidada,
correspondente ao ano civil em curso, salvo quando resulte de causa não
imputável do concessionário, caso em que lhe será restituída a parte
correspondente ao período de tempo por decorrer.
Artigo 12.º
(Modificação sem indemnização)
O titular de uma autorização governamental para o estabelecimento e
utilização de uma estação ou de uma rede de radiocomunicações a quem, por
razões de interesse público ou satisfação dos regulamentos internacionais,
seja imposta uma modificação técnica nos seus equipamentos, não tem direito
a qualquer indemnização para cobrir os encargos decorrentes dessa
modificação.
Artigo 13.º
(Licença de equipamento de estação)
1. Todo o equipamento emissor, receptor ou emissor/receptor, quer individual,
quer de uma rede de radiocomunicações, carece de uma licença atestando a
legalidade da sua utilização, no quadro da respectiva autorização
governamental.
2. A licença referida no número anterior deve acompanhar, permanentemente,
o equipamento de radiocomunicações a que se refere e ser apresentada sempre
que os agentes de fiscalização credenciados, a solicitem.
3. Em caso de extravio ou de inutilização, o seu titular deve requerer aos
Serviços superintendentes nas radiocomunicações a sua substituição,
indicando a forma como se extraviou ou inutilizou.
4. As fotocópias da licença serão válidas nos termos consignados na lei
geral.
Artigo 14.º
(Responsável técnico)
1. A autorização governamental para o estabelecimento e
utilização de uma estação ou de uma rede de radiocomunicações pode ser
condicionada sempre que o seu grau de complexidade o justifique, à indicação
de um responsável técnico, pela instalação e regular funcionamento dos
equipamentos.
2. Os Serviços superintendentes nas radiocomunicações poderão
exigir ao responsável técnico indicado a apresentação de documento
comprovativo da sua competência, reservando-se o direito de não o aceitar e de
o submeter a um exame sobre radiocomunicações.
3. As habilitações a exigir aos técnicos, referidos no n.º1
anterior, bem como as matérias sobre as quais versarão tais exames, serão
definidas por despacho do Governador.
Artigo 15.º
(Intransmissibilidade da licença)
1. A licença de uma estação de radiocomunicações é
intransmissível.
2. A licença, em caso de desistência, caducidade ou de
revogação, deve ser, no prazo de 30 dias, entregue ou enviada sob registo aos
Serviços superintendentes nas radiocomunicações.
3. Toda a licença que se não encontre em poder do seu titular
não tem qualquer validade, excepto no caso e durante o período referido no
n.º 1 do artigo 22.º
4. A devolução de uma licença caducada não dispensa o seu
titular de enviar a declaração a que se refere os n.os 1 e 4 do
artigo 32.º
Artigo 16.°
(Validade da licença)
A licença de um equipamento de radiocomunicações é válida por cinco
anos, prorrogáveis, e quando acompanhada de documento comprovativo da
liquidação da correspondente taxa de utilização.
Artigo 17.º
(Regulamentação)
As disposições regulamentares relativas às condições de obtenção da
autorização governamental, obrigações dos respectivos titulares e condições
de estabelecimento e utilização das estações e redes de radiocomunicações
serão fixadas, oportunamente, por portaria.
CAPÍTULO IV
Condições gerais de exploração
de estações
Artigo 18.º
(Radiocomunicações interditas)
Ninguém, no território de Macau ou a bordo de navio ou de aeronave sujeito
às suas leis, pode:
- Emitir ou tentar emitir radiocomunicações contrárias ao
respeito das leis, à segurança do Estado, à ordem pública, aos bons
costumes ou constituindo uma ofensa a um país estrangeiro ou respectivas
autoridades;
- Emitir ou tentar emitir sinais de alarme, de emergência, de
perigo ou chamadas de socorro falsas ou enganosas;
- Captar ou tentar captar radiocomunicações que lhe não são
destinadas. Se tais radiocomunicações são recebidas involuntariamente,
não podem ser retransmitidas, nem comunicadas a terceiros, nem utilizadas
para qualquer fim, nem mesmo a sua existência pode ser revelada.
Artigo 19.º
(Radiocomunicações de navios ou aeronaves estrangeiras)
1. Uma estação de radiocomunicações instalada a bordo de navio ou de
aeronave estrangeira, encontrando-se no território de Macau não pode, se for
possível utilizar os serviços públicos, comunicar com estações de redes
diferentes a não ser por seu intermédio.
2. As disposições do número anterior não se aplicam: aos sinais de
perigo, de alarme, de urgência e segurança, bem como às chamadas e mensagens
de socorro e suas respostas.
3. Em casos devidamente fundamentados, podem ser autorizadas
radiocomunicações do serviço móvel marítimo e aeronáutico para uso
privativo de entidades públicas ou privadas.
Artigo 20.º
(Exploração em situações especiais ou de emergência)
1. O Governador, quando as circunstâncias o aconselhem, pode proibir, no
todo ou em parte e durante o tempo que entenda conveniente, a detenção ou
utilização de equipamentos emissores, receptores ou emissores/receptores de
radiocomunicações, sem que, por isso, os seus proprietários ou detentores
tenham direito a qualquer indemnização.
2. O Governador pode também determinar a selagem dos equipamentos ou o seu
depósito em local determinado.
3. O Governador, em situações de emergência ou de catástrofe, pode
requisitar e assumir o controlo de qualquer equipamento de radiocomunicações.
A requisição é processada através das Forças de Segurança.
Artigo 21.º
(Correspondência pública)
1. A correspondência pública de radiocomunicações, quer se trate da
transmissão ou da recepção, não pode, sem consentimento do Governador, ser
recusada ou retida, desde que o utente satisfaça os requisitos exigíveis pelas
disposições legais e regulamentares em vigor.
2. A transmissão ou recepção da correspondência pública deverá ter
lugar em igualdade de circunstâncias e sem favores de preferência de qualquer
espécie.
3. Exceptuam-se as comunicações relativas a catástrofes e segurança, as
quais devem obter prioridade, bem como todas as outras referidas nos
Regulamentos associados à Convenção Internacional das Telecomunicações.
Artigo 22.º
(Exploração transitória)
1. Quem quer que, legitimamente, fique na posse de um equipamento individual
de radiocomunicações, ou de uma rede de radiocomunicações, sem ter autorização
para a sua detenção ou utilização, em resultado do falecimento,
da falência ou do abandono da firma social, em resultado de execução judicial
da pessoa precedentemente autorizada a utilizar o equipamento ou os equipamentos
da rede, e esta não puder ficar inoperativa sem prejudicar a actividade
exercida, pode, provisoriamente, manter em serviço os equipamentos a coberto da
autorização governamental existente, desde que a regularização da situação
seja solicitada por quem de direito, no prazo de sessenta dias, e as condições
da autorização governamental existente sejam respeitadas durante o período
transitório.
2. Se expirado o prazo de sessenta dias, não tiver sido requerida a
regularização da situação, os equipamentos devem ser desmantelados, selados
ou vendidos por quem legalmente os detiver e dado conhecimento desse facto aos
Serviços superintendentes nas radiocomunicações; se não lhe for dado o
referido destino, haverá lugar à aplicação das sanções previstas no artigo
46.º
Artigo 23.º
(Rádio-operadores)
1. Em conformidade com os regulamentos internacionais, a operação de certas
estações só pode ser levada a efeito por rádio-operadores devidamente
qualificados.
2. As matérias respeitantes aos exames, classes de operadores e certificados
serão, oportunamente, fixadas em portaria.
CAPÍTULO V
Condições gerais de homologação de equipamentos de radiocomunicações
Artigo 24.º
(Homologação de equipamentos)
Não carecem de homologação os equipamentos de radiocomunicações
utilizados pelas Forças de Segurança e Polícia Judiciária, conforme o
disposto no n.º 2 do artigo 7.º
Artigo 25.º
(Pedido de homologação)
1. Os importadores, vendedores, ou outros detentores ocasionais de
equipamentos emissores, receptores ou emissores/receptores de
radiocomunicações deverão requerer, antes da sua importação ou exposição
para venda, a sua homologação aos serviços com superintendência nas
radiocomunicações.
2. Os Serviços superintendentes nas radiocomunicações podem homologar, sem
ensaios prévios, os equipamentos emissores, receptores ou emissores/receptores
de radiocomunicações importados desde que estes tenham sido homologados por
administração ou entidade de comprovada idoneidade técnica e satisfaçam as
específicações dos regulamentos da União Internacional das
Telecomunicações.
Artigo 26.º
(Certificado de homologação)
1. Por cada tipo de equipamento emissor, receptor ou emissor/receptor de
radiocomunicações aprovado é passado um certificado de homologação.
2. O certificado de homologação pode ser anulado se mais tarde se verificar
que os equipamentos de radiocomunicações do mesmo tipo postos à venda não
satisfazem as especificações técnicas exigidas, ou não estão conforme o
modelo aprovado.
Artigo 27.º
(Identificação dos equipamentos homologados)
Os importadores ou vendedores de equipamentos emissores, receptores ou
emissores/receptores de radiocomunicações devem apor, com caracteres
indeléveis, sobre todos os equipamentos o número de homologação.
Artigo 28.º
(Regulamentação)
As disposições regulamentares relativas ao processo de homologação
serão, oportunamente, fixadas em portaria.
CAPÍTULO VI
Comercialização de equipamentos de
radiocomunicações
Artigo 29.º
(Negociabilidade e detenção provisória de equipamentos de
radiocomunicações)
1. É proibido vender, alugar, emprestar ou doar um equipamento emissor,
receptor ou emissor/receptor de radiocomunicações a quem não apresentar uma
autorização para a detenção de um tal equipamento, conforme o disposto no
artigo 6.º e nos n.ºs 2 e 3 do presente artigo.
2. Aos potenciais titulares da autorização referida no artigo 6.º e em
casos devidamente justificados, poderá ser concedida uma licença de ensaio e
de detenção provisória, por prazo não superior a trinta dias.
3. A autorização de ensaio referida no n.º 2 concede ao titular o direito
de proceder a ensaio de vários equipamentos de radiocomunicações aprovados,
de diferentes marcas e tipos, bem como a sua detenção dentro do prazo
estipulado.
Artigo 30.º
(Autorização para detenção de equipamentos de radiocomunicações)
1. Os importadores ou vendedores de equipamentos emissores, receptores ou
emissores/receptores de radiocomunicações podem, mediante pedido escrito,
obter junto dos Serviços superintendentes nas radiocomunicações uma licença
para detenção de equipamentos de radiocomunicações, não carecendo estes da
autorização governamental estabelecida no n.º 1 do artigo 6.º
2. É-lhes, contudo, vedado qualquer outra utilização que não seja a sua
demonstração de funcionamento a potenciais compradores, os quais se deverão
munir da licença provisória referida no n.º 2 do artigo 29.º
3. ... [revogado pela alínea a) do artigo 127.° do Decreto-Lei n.°
48/86/M, de 3 de Novembro]
Artigo 31.º
(Registo do movimento dos equipamentos de radiocomunicações)
1. Os importadores ou vendedores de equipamentos emissores, receptores ou
emissores/receptores de radiocomunicações são obrigados, sempre que haja
movimento, a preencher um registo dos equipamentos entrados, reentrados e saídos, num livro a adquirir nos Serviços superintendentes nas
radiocomunicações.
2. No registo de entradas e reentradas, deve constar a data, o nome e a
morada da pessoa singular ou colectiva que forneceu ou devolveu os equipamentos,
assim como a marca, o tipo e o número de série.
3. No registo de saídas, deve constar a data, a natureza da transacção, o
nome e morada da pessoa singular ou colectiva com a qual foi efectuada, assim
como a marca, modelo e o número de série e, ainda, a data e número da
autorização emitida nos termos do artigo 6.º ou do n.º 2 do artigo 29.º
4. O prazo de conservação dos registos é fixado em um ano.
Artigo 32.º
(Declaração de cedência de equipamento de radiocomunicações)
1. Os importadores ou vendedores de equipamentos emissores, receptores ou
emissores/receptores de radiocomunicações e todas as pessoas que, mesmo
ocasionalmente, vendam, alugem, emprestem ou doem tais equipamentos devem
efectuar uma declaração em que conste:
- A data e a natureza da transacção;
- O nome e a morada da pessoa singular ou colectiva com qual é
efectuada a transacção;
- A data e o número da autorização, nos termos do artigo 6.º ou
do n.º 2 do artigo 29.º, nos casos em que esta é exigida;
- A marca, o tipo e o número de série do equipamento;
- O número de homologação do equipamento, nos casos em que esta
é exigida.
2. O declarante deve assegurar-se da exactidão das informações prestadas,
podendo, para o efeito, exigir da pessoa singular ou colectiva, com a qual é
efectuada a transacção, a apresentação de documentos comprovativos.
3. Os importadores ou vendedores referidos no n.º 1 devem fazer uma
declaração mensal, englobando as transacções efectuadas durante o mês, e
enviá-la, nos dez primeiros dias do mês seguinte, aos Serviços
superintendentes nas radiocomunicações.
4. As pessoas referidas na alínea b) do n.º 1 devem enviar a
declaração nos dez primeiros dias seguintes àquele em que foi efectuada a
transacção.
CAPÍTULO VII
Regime de taxação
Artigo 33.º
(Taxa de exploração)
1. Os titulares de uma licença estão sujeitos ao pagamento de uma taxa de
exploração destinada a cobrir os encargos de fiscalização das estações de
radiocomunicações e das suas emissões.
2. A taxa de exploração de estação de radiocomunicações é anual e
cobrada, antecipadamente, durante o mês de Janeiro ou no prazo de 30 dias após
a apresentação à cobrança da respectiva guia de pagamento.
3. As estações de radiocomunicações, que em 1 de Janeiro de cada ano se
encontrem em serviço, são taxáveis por todo esse ano.
4. A taxa relativa às estações de radiocomunicações, postas em serviço
no decurso do ano, é devida apenas na proporção entre o número de meses que
restam para o ano terminar—considerando-se a fracção de mês, um mês
completo—e a totalidade dos meses de um ano.
Artigo 34.º
(Taxas diversas)
1. Os pedidos para o estabelecimento e utilização de uma estação
individual ou de uma rede de radiocomunicações estão sujeitos, no acto da sua
apresentação, ao pagamento de uma taxa destinada a cobrir os encargos com o
estudo do processo.
2. Estão, igualmente, sujeitos ao pagamento de taxas todos os serviços
administrativos relativos à licença no que respeita à sua renovação,
alteração ou substituição, caso se extravie ou inutilize.
Artigo 35.º
(Taxa de licença temporária)
Quando a licença é temporária, entendendo-se como tal uma licença cuja
validade não é superior a 30 dias, a taxa devida é de um sexto da taxa de
exploração respectiva e é pagável antes da concessão da autorização.
Artigo 36.º
(Taxas reduzidas)
1. Aos titulares de licenças de equipamentos individuais que sejam
considerados diminuídos físicos podem ser concedidas reduções, totais ou
parciais, no pagamento das taxas previstas nos artigos 33.º e 34.º, de acordo
com despacho governamental.
2. Esta redução é autorizada perante certidão ou cópia autenticada pela
autoridade competente, na qual se indique a percentagem de invalidez ou de
incapacidade permanente do titular, atendendo-se, igualmente, às suas
condições económicas.
Artigo 37.º
(Não utilização e pagamento de taxas)
1. A não utilização de um equipamento de radiocomunicações individual ou
de um equipamento de uma rede de radiocomunicações é considerada como
efectivada na data de devolução, por carta registada, da respectiva licença
ou sua entrega nos Serviços superintendentes nas radiocomunicações.
2. Em caso de contestação, faz fé o carimbo dos Serviços Postais.
3. Todo o equipamento, cuja licença não tenha sido devolvida o mais tardar
até 31 de Dezembro de cada ano, é considerado como estando em serviço no dia
1 de Janeiro do ano seguinte, e sujeito, conforme as disposições do n.º 3 do
artigo 33.º, ao pagamento da totalidade da taxa desse ano.
Artigo 38.º
(Fixação de taxas)
... [revogado pelo artigo 2.° do Decreto-Lei n° 85/90/M, de 31 de
Dezembro]
CAPÍTULO VIII
Perturbações radioeléctricas
Artigo 39.º
(Reclamações)
1. As reclamações relativas às perturbações radioeléctricas que afectem
as radiocomunicações, bem como a recepção das emissões de radiodifusão
sonora e televisiva, devem ser encaminhadas para os Serviços com
superintendência nas radiocomunicações.
2. Estes analisam o fundamento da reclamação, procedem às investigações
necessárias e determinam, face às conclusões obtidas, as medidas adequadas
para atenuar ou eliminar as perturbações de acordo com a regulamentação
aplicável.
Artigo 40.º
(Responsabilidade dos perturbadores)
Quando uma instalação ou parte de uma instalação eléctrica,
radioeléctrica ou outra, perturbe, para além dos limites de protecção
fixados na legislação específica, a recepção radioeléctrica de outras
emissões, é o utilizador daquelas instalações obrigado a proceder, a
expensas suas e dentro do prazo fixado pelos Serviços superintendentes nas
radiocomunicações, às reparações e modificações necessárias para
atenuar ou eliminar essas perturbações.
Artigo 41.º
(Redução ou suspensão de funcionamento)
Quando, a curto prazo, as perturbações radioeléctricas não possam ser
eliminadas ou atenuadas eficazmente, o proprietário ou detentor da instalação
perturbadora pode ser intimidado pelos Serviços superintendentes nas
radiocomunicações, a cumprir um horário de funcionamento ou mesmo a suspender
o seu funcionamento, caso o serviço afectado seja de regime permanente e a
perturbação não permita a execução desse serviço.
Artigo 42.º
(Regulamentação)
As disposições regulamentares relativas à protecção da recepção
radioeléctrica, nomeadamente as especificações técnicas a que devem
satisfazer todos os aparelhos susceptíveis de originar perturbações
radioeléctricas serão, oportunamente, fixadas em portaria.
CAPÍTULO IX
Fiscalização radioeléctrica
Artigo 43.º
(Agentes fiscalizadores)
A fiscalização do cumprimento das disposições do presente decreto-lei e
seus diplomas complementares compete aos agentes da fiscalização dos Serviços
superintendentes nas radiocomunicações, bem como aos agentes das corporações
com autoridade pública, designadamente Polícia Judiciária, Polícia de
Segurança Pública e Polícia Marítima e Fiscal.
Artigo 44.º
(Livre acesso às instalações)
1. Sempre que os agentes fiscalizadores, devidamente credenciados e no
cumprimento da sua missão, pretendam inspeccionar instalações eléctricas ou
de radiocomunicações, deverão os seus proprietários ou titulares permitir o
seu livre acesso ao local onde se encontram.
2. Á mesma obrigação, estão sujeitos os importadores ou vendedores de
equipamentos de radiocomunicações.
Artigo 45.º
(Testes e documentação)
Os proprietários de instalações eléctricas ou titulares das licenças de
radiocomunicações a que se referem os artigos 6.º, 29.º e 30.º devem,
sempre que lhes seja exigido por agentes fiscalizadores credenciados, permitir a
execução de testes às suas instalações ou equipamentos, bem como submeter
para sua apreciação os documentos que nos termos da lei lhes sejam de exigir.
Artigo 46.º
(Apreensão de equipamentos)
1. A apreensão do equipamento, quando deva ter lugar, será determinada, por
escrito, pelo director dos Serviços superintendentes nas radiocomunicações,
salvo se for caso de aplicação do disposto nos números seguintes.
2. Quando o agente fiscalizador verificar directamente a existência de
contravenção que possa dar lugar a apreensão, provisória ou definitiva, do
equipamento, deverá proceder à mesma apreensão, sujeitando-a, no mais curto
espaço de tempo, a confirmação escrita do director dos Serviços
superintendentes nas radiocomunicações.
3. Quando a apreensão exija a entrada em domicílio de cidadão que a ela se
tenha oposto, deverá ser solicitada a respectiva ordem ao juiz de instrução
criminal.
4. A autoridade policial da área deverá prestar a colaboração que lhe for
solicitada e se mostre necessária para a execução da apreensão.
5. Do auto de apreensão serão lavrados tantos duplicados quantos os
necessários para documentar o acto junto das diversas entidades que no mesmo
tenham tido intervenção; um dos duplicados será entregue ao detentor do
equipamento.
6. O equipamento apreendido que deva reverter para o Estado poderá ser
aproveitado pelos Serviços superintendentes nas radiocomunicações ou vendido
em hasta pública, conforme melhor convier aos interesses do Território.
CAPÍTULO X
Servidões radioeléctricas
Artigo 47.º
(Servidões especiais)
Para protecção e eficiência dos serviços estabelecidos em centros
radioeléctricos, emissores e/ou receptores, que prossigam fins de utilidade
pública, as zonas confinantes com esses centros ou canais que os interliguem
visualmente, podem ficar sujeitos a servidões especiais, denominadas
radioeléctricas.
Artigo 48.º
(Expropriações)
As expropriações que tenham de efectuar-se para salvaguardar as
protecções definidas no artigo 47.º são consideradas de utilidade pública.
Artigo 49.º
(Instalação de antenas)
1. Os proprietários de prédios rústicos ou urbanos não podem impedir nas
suas propriedades o atravessamento ou fixação exterior de antenas e
respectivas linhas de alimentação, salvo em casos devidamente fundamentados e
que mereçam a aprovação dos Serviços superintendentes nas
radiocomunicações.
2. Para o estabelecimento de antenas podem aproveitar-se as ruas, praças,
estradas e caminhos que sejam do domínio público desde que devidamente
autorizadas pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas e Transportes.
3. A autorização referida no número anterior será dada mediante
requerimento do próprio devidamente informado pelos Serviços superintendentes
nas radiocomunicações.
4. Os proprietários dos terrenos ou edifícios a que se refere o n.º 1 e o
Estado têm sempre o direito de fazer as obras de reparação, construção,
reconstrução ou ampliação que julgarem convenientes, mesmo quando tais obras
exijam o afastamento ou a remoção das antenas, seus apoios ou fios de
alimentação, sem que por tal facto devam indemnizar o proprietário ou
utilizador da antena, quer pelo afastamento ou remoção, quer por eventuais
lucros de exploração, contanto que este seja prevenido por escrito, salvo caso
de força maior, com a antecedência mínima de 15 dias.
Artigo 50.º
(Fixação em diploma legal)
O estudo da constituição, modificação ou extinção de servidões
radioeléctricas e a preparação do respectivo diploma legal regulador compete
aos Serviços superintendentes nas radiocomunicações.
CAPÍTULO XI
Infracções e penalidades
Artigo 51.º
(Estação não autorizada)
A infracção ao disposto no artigo 6.º do presente decreto-lei dá lugar a
uma multa de mil a dez mil patacas, bem como à apreensão provisória do
equipamento da estação que será objecto das seguintes medidas:
- Se a multa for paga e a estação licenciada, o equipamento será
restituído;
- Se a multa for paga e a estação não for licenciada, o
equipamento também será restituído, mas selado ou desmantelado, conforme
tenha ou não características que permitam o seu licenciamento;
- Se a multa não for paga, aplicar-se-á o disposto no artigo
53.º
Artigo 52.º
(Pagamento fora do prazo)
1. A falta de pagamento da taxa devida no prazo legal, dará lugar à
aplicação de uma multa igual a um sexto do valor da taxa em dívida.
2. Se a multa a taxa em dívida não forem satisfeitas no prazo legal,
aplicar-se-á o disposto no artigo 53.º
Artigo 53.º
(Execuções fiscais)
1. Se a multa ou multa e taxa em dívida não forem pagas no prazo de um mês
a contar da notificação, serão cobradas coercivamente pelo Juízo de
Execuções Fiscais para o que o respectivo auto terá força de título
executivo.
2. O Território goza de privilégio creditório mobiliário especial sobre o
equipamento de radiocomunicações em relação às dívidas referidas no
número anterior.
3. Decorrido o prazo referido no n.º 1, os Serviços superintendentes nas
radiocomunicações apreenderão o equipamento que remeterão para execução e
com o respectivo auto ao Juízo de Execuções Fiscais.
Artigo 54.º
(Apreensão provisória)
1. Na falta do cumprimento de formalidades legais, os equipamentos de
radiocomunicações poderão ser apreendidos até que se mostrem cumpridas tais
formalidades.
2. Se a regularização das formalidades referidas no n.º 1 não forem
requeridas no prazo de 30 dias ou não tiverem andamento por causa imputável ao
interessado, o equipamento reverterá para o Estado.
Artigo 55.º
(Infracções)
No presente decreto-lei são consideradas:
1. Infracções «Leves»- O não cumprimento das disposições dos seguintes
números e artigos:
- Artigo 13.º, n.ºs 2 e 3;
- Artigo 15.º n.º 2;
- Artigo 27.º
2. Infracções «Graves»- O não cumprimento das disposições dos
seguintes números e artigos:
- Artigo 10.º,n.º 3;
- Artigo 25.º;
- Artigo 29.º, n.º1;
- Artigo 30.º, n.º2;
- Artigo 31.º;
- Artigo 32.º;
- Artigo 44.º;
3. Infracções «Muito Graves»- O não cumprimento das disposições dos
seguintes números e artigos:
- Artigo 18.º;
- Artigo 19.º, n.º1;
- Artigo 30.º, n.º1;
Artigo 56.º
(Penalidades)
1. Pelas infracções definidas no artigo 55.º, são aplicadas as seguintes
penalidades:
- Infracções «Leves»
Repreensão escrita;
Multa de 250 a 2 500 patacas.
- Infracções «Graves»
Suspensão da licença, de um a três meses, com selagem do equipamento;
Multa de 500 a 5 000 patacas.
- Infracções «Muito Graves»
Cancelamento da licença;
Apreensão definitiva do equipamento;
Multa de 1 000 a 10 000 patacas.
2. Quaisquer outras infracções ao presente decreto-lei e que não tenham
sido explicitamente referidas, serão punidas com uma multa de 250 a 2 500
patacas, consoante a sua gravidade.
3. As penalidades indicadas anteriormente podem ser aplicadas conjunta ou
separadamente.
Artigo 57.º
(Competência para aplicação de multas)
As sanções previstas no artigo 56.º serão aplicadas por despacho do
director dos Serviços superintendentes nas radiocomunicações.
Artigo 58.º
(Reincidências)
1. A reincidência será punida com multa graduada entre um mínimo e um
máximo correspondente ao dobro dos valore normais.
2. Considera-se reincidente aquele que cometer uma transgressão idêntica no
espaço de um ano contado a partir da última punição.
Artigo 59.º
(Infracções de ordem criminal)
1. Quando as infracções ao presente decreto-lei e seus diplomas
complementares envolvam matéria de ordem criminal, para além das penalidades
neles previstas, serão os respectivos autos remetidos às instâncias
competentes.
2. Para efeitos do número anterior, observar-se-á o disposto no Capítulo
VIII — Da protecção penal — do Decreto-Lei n.º 492/73, de 4 de Outubro.
Artigo 60.º
(Recurso)
Das penalidades aplicadas pelos Serviços superintendentes nas
radiocomunicações, no cumprimento do presente decreto-lei e seus diplomas
complementares, há recurso, no prazo de quinze dias, para o Governador do
Território.
CAPÍTULO XII
Disposições finais
Artigo 61.º
(Validade das actuais licenças)
1. Continuam em vigor as licenças de estações ou de redes de
radiocomunicações actualmente ao serviço, sem necessidade de homologação
dos equipamentos que as constituem.
2. Os titulares das licenças anteriormente referidas serão, oportunamente,
informados pelos Serviços superintendentes nas radiocomunicações dos
requisitos a satisfazer, tendo em vista o integral cumprimento das disposições
do presente decreto-lei e seus diplomas complementares.
Artigo 62.º
(Serviços superintendentes nas radiocomunicações)
Continua a caber à Direcção dos Serviços de Correios e
Telecomunicações, em conformidade com o artigo 1.º do Decreto-Lei n.º
27-A/79/M, de 26 de Setembro, a superintendência sobre as radiocomunicações
do Território.
Artigo 63.º
(Revogação de legislação)
Fica revogada toda a legislação sobre radiocomunicações que contrarie as
disposições do presente decreto-lei, nomeadamente o Diploma Legislativo n.º 1
620, de 22 de Fevereiro de 1964.
Artigo 64.º
(Entrada em vigor)
1. O presente decreto-lei entra em vigor 30 dias após a sua publicação.
2. As disposições dos Capítulos V e VI entrarão em vigor no dia 1 de
Janeiro de 1984.
Artigo 65.º
(Dúvidas)
As dúvidas que surgirem na execução deste decreto-lei e os casos omissos,
serão resolvidos por despacho do Governado, ouvidos os Serviços
superintendentes nas radiocomunicações.
Assinado em 8 de Março de 1983.
Publique-se.
O Encarregado do Governo,
Manuel Maria Amaral de Freitas.
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