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TV CABO MACAU
ANEXO I DO CONTRATO DE CONCESSÃO DO SERVIÇO
TERRESTRE DE TELEVISÃO POR SUBSCRIÇÃO EM MACAU
PLANO GERAL A 15 ANOS
Abril de 1999
ÍNDICE
INTRODUÇÃO
Capítulo I - PLANO TÉCNICO
Capítulo II - PLANO DE SERVIÇO
Capitulo III - PLANO ECONÓMICO-FINANCEIRO
INTRODUÇÃO
Neste documento apresenta-se a caracterização do projecto e fundamentação
técnico-económica subjacente ao contrato de concessão de operador de Serviço
Terrestre de Televisão por Subscrição (STTvS), no ârnbito do território de
Macau.
Nestes quase três anos entre a entrega do pedido e a atribuição da
Concessão, a tecnologia evoluiu profundamente, pelo que é de ter em atenção
que a escolha final sobre a solução tecnológica, a instalar para o sistema
hertziano, dependerá invariavelmente da consulta ao mercado fornecedor de
tecnologia. Sem prejuízo do atrás dito, assumiu-se pua efeitos de elaboração
de um plano económico-financeiro, e de um cronograma de implementação, que a
tecnologia do sistema hertziano seria MMDS ("Multi-point Microwave
Distribution System"), podendo, no entanto, evoluir para outras tecnologias com
distribuição hertziana em frequências mais elevadas.
Foi efectuada urna actualização quer ao nível conceptual, quer ao nível
da estruturação organizacional de projecto, com função das alterações socioeconómicas sentidas no
Território nestes quase três anos que mediaram
entre o pedido da concessão e a atribuição da mesma. No entanto, no
fundamental, mantêm-se válidos os grandes pressupostos assumidos quando da
elaboração do projecto e que se voltam a identificar nestes anexos.
A fundamentação técnico-económica resulta de simulações efectuadas para
avaliar a viabilidade e rentabilidade do projecto, estando os principais
resultados incluídos no plano econórnico-financeiro. Na elaboração do modelo
de simulação foram tidos em conta diversos aspectos, em especial os que a
seguir se indicam:
- tendências de desenvolvimento deste tipo de negócio detectadas em
mercados de maior maturidade;
- inventariação de tecnologias alternativas e ponderação das
respectivas potencialidades, imitações e custos;
- estado de desenvolvimento do negócio na zona próxima do território de
Macau, nomeadamente em Hong Kong;
- análise da oferta de programas de televisão actualmente disponíveis no
Território, especialmente no regime de free on air
- requisitos de instalação de dispositivos e equipamentos de rede no
interior e’ no exterior dos edifícios;
- níveis de investimento fixo, relativamente elevados, em função da
necessidade da construção integral das redes de prédio, pelo facto das
actuais serem de muito má qualidade assim como em função da possível
mudança da tecnologia MMDS para cabo;
- necessidades de pessoal e respectivos programas de formação;
- condições de financiamento, viabilidade e rentabilidade do projecto.
Na elaboração do caderno de candidatura à concessão, e em todo o processo
de atribuição do Contrato de Concessão, tivemos a colaboração, a titulo de
prestação de serviços de consultoria, da TV CABO PORTUGAL, SA - empresa sediada
em Lisboa, Portugal -, que tem uma experiência relevante no lançamento de
projectos nesta área de negócio e que participa, absoluta ou maioritariamente,
no capital de nove empresas operadoras regionais de distribuição de televisão
por cabo, que operam em Portugal, com recurso a tecnologia HFC (“Hybrid
Fiber Coaxial”). MMDS e satélite digital. Além disso, a TV Cabo Portugal tem
participações accionistas em várias empresas de negociação ou produção de
conteúdos audiovisuais para TV e tem em fase de conclusão uru projecto para
lançamento Cable internet e TV interactivo.
CAPÍTULO I
PLANO TÉCNICO
Face ao exposto, a solução para Macau deve ponderar a rapidez de criação
de urna solução comercial e não esquecer a evolução para uma
infra-estrutura, que esteja orientada para vir a suportar a prestação de serviços
multimédia, que se prevê virem a estar disponíveis a curto/médio
prazo.
Por isso, uma vez analisados os vários cenários possíveis de solução
tecnológica, a empresa, sem prejuízo de expresso no segundo parágrafo da introdução, propõe-se optar pelo desenvolvimento de uma solução mista em
MMDS a qual virá a ser, posteriormente, complementada ou integralmente substituída, por uma rede de
TV por cabo.
O arranque com uma solução hertziana permite:
- antecipar o lançamento comercia! do serviço STTvS no Território;
- garantir um amplo grau de acessibilidade ao serviço para os fogos
residenciais;
- executar a construção/adaptação de redes interiores em prédios onde
haja procura efectiva.
Assim, arrancar com a solução MMDS toma possível antecipar a criação
do mercado de consumo do serviço STTvS e. correspondentemente. iniciar mais
cedo a construção de redes de prédio, que são imprescindíveis à prestação
do serviço seja qual for a tecnologia utilizada na rede de distribuição, isto
é, rede de TV por cabo ou MMDS.
A empresa propõe-se promover a construção de redes de prédio, segundo
especificações técnicas que tomem possível a ínterligação destas à rede
MMDS ou, futuramente e com mínima perturbação do serviço, à rede de TV
por cabo.
Como decorre das características das tecnologias de rede acima mencionadas,
a solução baseada em tecnologia hertziana permite um mais rápido lançamento
comercial do serviço. Pretende-se assim, na fase de arranque do projecto de
STTvS,
utilizar este tipo de tecnologia.
A escolha desta solução, como tecnologia de arranque para iniciar a
actividade comercial, decorre dos seguintes aspectos;
- Minimização de distúrbios na via pública, uma vez que é eliminada a
necessidade de levar fisicamente o cabo do "head-end" ao edifício do
cliente;
- Maior rapidez de cobertura da zona, pois uma vez instaladas as antenas de
distribuição do sinal, urna grande área fica potencialmente coberta,
necessitando, embora, da instalação/adaptação das redes de prédio e de
cliente;
- Viabilidade da utilização das redes interiores instaladas sempre que
comercial e tecnicamente possível.
Após atribuição da correspondente banda de frequências radioeléctricas,
a empresa promoverá a instalação de uma solução piloto experimental, que
permita afinar os requisitos em número, potência e mapa de frequências de
emissores e retransmissores ("beam-benders") para assegurar a cobertura do
Território.
Está planeado um período experimental, após a instalação dos
equipamentos, para a realização de todos os estudos técnicos e de cobertura
necessários, assim como para uma melhor avaliação do potencial do mercado
local. O sistema piloto servirá, também, de suporte à realização de acções
de formação de pessoal.
Uma vez concluído o regime experimental dar-se-á inicio à exploração
comercial corrente, nas zonas que sejam alvo de comercialização do serviço e
completar-se-á a instalação de equipamentos para assegurar a cobertura
radioeléctrica adequada.
Posteriormente, face ao comportamento do mercado consumidor do serviço e ã
evolução da tecnologia, a empresa poderá iniciar a construção da rede de
cabo exterior aos edifícios.
Para efeito de instalação da rede de TV por cabo, a empresa poderá vir a
contratar a cedência de capacidade de transmissão e/ou a cedência de espaço físico
em condutas, para a passagem de cabos próprios.
Neste estádio de desenvolvimento, a rede poderá utilizar uma tecnologia
mista de cabo coaxial e de fibra óptica, podendo, em determinadas zonas do
Território, manter-se a tecnologia MMDS, que serviu de suporte ao arranque do
serviço STTvS.
Como já foi referido, a rede de TV por cabo sendo, embora, de construção
mais demorada, comparativamente com o grau de cobertura rapidamente propiciado
pela solução MMDS, apresenta algumas importantes vantagens, designadamente o
aumento da capacidade e funcionalidade da rede para suportar a oferta de mais
canais e novos serviços, e em especial os serviços de televisão interactiva,
nomeadamente, “Video-on-Demand”, videojogos, teleensino, etc.
A capacidade da rede MMDS, expressa em número de canais de TV que o
sistema pode distribuir, dependerá da largura de banda de espectro que vier a
ser atribuída á empresa pelas autoridades competentes. Por outro lado, o custo
da tecnologia MMDS, bem como algumas características da qualidade de
serviço, são dependentes da colocação da banda no espectro, verificando-se,
tipicamente, que o investimento e es custos de exploração são tanto mais
elevados quanto mais alta for a frequência central da banda.
A rede MMDS proposta tem capacidade para distribuir os diferentes tipos de
pacotes de programação que a empresa se propõe vir a comercializar,
nomeadamente os designados pacotes Básico e Suplementar, tal como referidos no
Capítulo II.
Outros serviços - como videotexto ou "Pay-Per-View (PPV)" e retransmissão de
eventos desportivos de especial interesse para o mercado local, etc. podem,
também, ser distribuídos através da rede MMDS. No entanto, como
explicitado no PLANO DE SERVIÇO, não se pretende incluir a prestação deste
tipo de serviços complementares na primeira fase do projecto.
Os diversos tipos de serviços poderão ser prestados a diferentes clientes
moradores num mesmo prédio, consoante a opção de contrato por que cada um
optar. O condicionamento de acesso apenas ao tipo de serviços (pacotes básico,
suplementar ou outros), contratado por cada cliente, pode fazer-se pela
instalação de filtros de eliminação de parte da banda de frequência da rede
ou através de sistemas de codificação/descodificação.
Numa fase posterior, com a evolução para a rede de TV por cabo, a empresa
prevê vir a lançar a prestação de serviços de televisão interactiva, tais
como telejogos, “Video-On-Demand’ (VoD). telecompras, “Home-banking”,
etc., isto após estudo de viabilidade comercial dos mesmos no mercado local.
CAPÍTULO II
PLANO DE SERVIÇO
A empresa prevê operar comercialmente com um pacote de programação, o
denominado Pacote Básico.
A empresa prevê também lançar um outro pacote de programação, o
designado Pacote Suplementar, constituído por canais adicionais ao pacote
Básico, que será fornecido apenas aos clientes que especificamente subscrevam
aquele outro pacote, mediante um pagamento suplementar.
A capacidade do sistema tecnológico que a empresa pretende adquirir não
deverá ficar esgotada com as ofertas comerciais acima mencionadas. De facto, a
empresa pretende instalar um sistema MMDS com capacidade para 24 canais
analógicos de televisão, ou aproximadamente 18 canais analógicos e 40
digitalmente comprimidos, e um sistema de TV por cabo, que, dependendo da
análise do custo de tecnologia, poderá, pelo menos, ter uma banda passante da
ordem de 750 MHz, suportando dezenas de canais de televisão em modo
analógico e algumas centenas em modo digital comprimido.
A empresa pretende vir a comercializar, por subscrição, os já referidos
pacotes Básico e Suplementar, além de outros serviços de televisão
interactiva, desde que os mesmos sejam compatíveis com a concessão atribuída e
comercialmente interessantes.
A composição dos pacotes de programação evoluirá, certamente, ao longo
do tempo, seja para adaptação comercial ao mercado local, seja por efeito de
contratação com fornecedores de programas. Contudo, a empresa pretende
assegurar aos seus clientes que a dimensão destes pacotes, traduzida em número
de canais que os compõem, bem como a diversidade de conteúdo típico destes,
não serão profundamente alteradas.
O pacote Básico será orientado para a massificação do mercado consumidor
potencial e conterá urna combinação de línguas de emissão, tanto quanto
possível, ajustada ao mercado local. A dimensão deste pacote será
principalmente influenciada pelo preenchimento das áreas temáticas de
interesse geral, consequência directa do reconhecimento do mercado alvo e dos
custos com aquisição de programação.
Assim, a composição do pacote Básico, dependendo de negociações com
fornecedores de programação, incluirá, em princípio, canais com conteúdo
representativo das seguintes áreas temáticas:
- Cultural e Educacional;
- Desporto;
- Drama;
- Infantil;
- Música;
- Natureza e Ciência;
- Notícias;
- Turismo e Viagens.
O Pacote Suplementar será orientado para a satisfação de interesses de segmentos de mercado de maior poder aquisitivo. Na sua composição entrará,
fundamentalmente, programação temática e canais de filmes e séries.
O custo de programação varia de canal para canal e só poderá ser
verdadeiramente fixado após negociações com os respectivos titulares de
direitos autorais e comerciais.
Uma vez que a empresa pretende transmitir na sua rede os canais
comercialmente representativos no Território, as línguas cantonense, mandarim,
portuguesa e inglesa estarão, à partida, representadas no Pacote Básico.
A empresa propõe-se monitorar, sistematicamente, a oferta de programação
tecnicamente disponível no Território por difusão via satélite e negociar os
respectivos direitos de distribuição, em particular quando as línguas de
emissão forem faladas ou entendidas em Macau, como é o caso do cantonense,
mandarim, português e inglês. Os horários de transmissão dos canais a
oferecer, numa primeira fase, serão definidos pelos fornecedores de
programação.
O plano das negociações com fornecedores de programação baseia-se na
estratégia de aquisição de canais completos. Pretende-se com estas
negociações, encontrar a combinação para os pacotes de programação e
distribuição de línguas por canal, que mais se ajuste à expectativa do mercado
local.
A empresa propõe-se incluir na sua rede de distribuição sinais não-video
de FM áudio e, futuramente, de serviço; DAB ("Digital Audio
Broadcasting").
Além disso pretende, também. assegurar a prestação de serviços videotexto.
CAPÍTULO III
PLANO ECONÓMICO-FINANCEIRO
A distribuição do Serviço Terrestre de Televisão por Subscrição
constitui um importante factor de divulgação, crescimento e diversificação
sociocultural e recreativa, de inegável interesse para a sociedade.
Pela possibilidade de acesso a uma enorme variedade e heterogeneidade de
emissões de televisão de todo o inundo, nomeadamente da zona Ásia-Pacífico, a
distribuição por MMDS ou cabo representa, também, um importante contributo
para a concretização e fortalecimento da dimensão comunitária, que se pretende
construir em Maca,
Pelos investimentos que exige e pela sinergia que cria e implica, a
distribuição de Serviço Terrestre de Televisão por Subscrição constitui,
igualmente, um factor de dinamização e potenciação de desenvolvimento
económico em geral e, em especial, nas áreas de telecomunicações que
envolvem tecnologias de ponta.
A distibuição do Serviço Terrestre de Televisão por Subscrição
contribuirá, tambérn, em certas situações de forma significativa, para a salvaguarda de valores e
interesses paisagísticos e estéticos, preocupação geral crescente, nomeadamente
em zonas de
acentuada construção / concentração e em zonas consideradas de interesse histórico e turístico.
Como complemento deste Plano Económico-Financeiro a 15 anos, que constitui o
Anexo I do Contrato de Concessão do Serviço Terrestre de Televisão por
Subscrição em Macau, apresentamos os seguintes mapas:
- Plano de lntervenção;
- Plano de Investimentos;
- Demonstração de Resultados Previsionais;
- Balanços Previsionais.
A caracterização do mercado consumidor potencial foi feita com base num
estudo de mercado encomendado pela empresa e realizado durante o segundo trimestre de 1998 por urna empresa especializada, conjuntarnente com a
apreciação de indicadores específicos do Território, nomeadamente os
contidos nas publicações "Índices de Preços no Consumidor", "Principais
Indicadores da Estatística do Trabalho", "Macau em Números",
"Estatísticas
de Construção". Foram ainda analisados diversos documentos relativos ao
negócio de televisão por subscrição era diversos países, particularmente,
nas zonas próximas do território (Hong Kong, China-Taipé, R. P. da China,
...).
Face à natureza do produto da empresa, o mercado global tem, potencialmente,
a dimensão do número de fogos residenciais ocupados existente no Território.
Contudo, o mercado é composto por segmentos algo diferentes em poder
aquisitivo, em sensibilidade a barreiras linguisticas, em interesses culturais
e noutras variáveis sócio-demográficas.
Haverá o cuidado de atender à composição da estrutura populacional
quando se definir a composição temática dos pacotes de programação, a
representação de línguas de emissão dos canais de TV incluídos no Pacote
Básico, a definição do preçário e o plano publi-promnocional.
O número de fogos habitacionais existentes em Macau tem-se mantido estável
nos últimos anos. O numero de pessoas por fogo é da ordem das 3,4.
Clique aqui para visualizar os mapas do
Plano Económico-Financeiro a 15 anos.
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